Money Honey
É bastante engraçado observar como as pessoas lidam com os bens materiais, a nossa sociedade é bastante hipócrita, pois publicamente ela prega causas humanitárias, amor e desapego, campanhas para ajudar os pobres do Nordeste, que inclusive para os sulistas parece que só tem seca, são muitas; entretanto, o dinheiro causa um frenesi tão grande que chega a ser compulsivo.
Assistindo pela primeira vez o filme que foi recordista e vencedor de cinco estatuetas do Oscar: “Quem quer ser um milionário?” fiquei me perguntando sobre diversas questões; por ser bastante curioso acho que às vezes eu nem detenho-me muito no enredo central do filme, mas, fico observando com cuidado as regiões periféricas da história. Me dei conta de uma coisa: o quanto a grana consegue mover as pessoas, o quanto o dinheiro por si só tem mais capacidade de movimentar e atrair até mesmo mais que as pregações religiosas.
Na história um rapaz muito pobre da região de Bombaim acabou se tornando mais miserável ainda devido a inúmeros problemas, dentre eles a morte de sua mãe no meio de brigas religiosas entre os mulçumanos e os hindus. Sendo um cara bastante persistente e sonhador ele acaba participando de um programa de perguntas e repostas no estilo de nosso “Show do milhão” brasileiro (inclusive a música e o palco são os mesmos). No fim ele consegue as 20 milhões de rupias e se torna multimilionário, depois de tanta luta para também reencontrar seu grande amor.
O essencial, porém, de tudo isso na minha concepção não é a vitória do moçinho pobre, mas sim, como a caminhada dele para chegar à vitória no programa mexeu com a vida de toda a Índia, ele se tornou uma celebridade, ganhou inúmeros adeptos (sem nem querê-los) e fez toda a população que tinha uma TV parar diante da tela.
Os olhos das crianças e dos adultos assistindo aquele programa não revelavam outra coisa a não ser eles imaginando a possibilidade de alguém paupérrimo chegar a colocar as mãos em muito dinheiro, ele estava realizando os sonhos de milhões de pessoas, que mesmo num país espiritualizado como a Índia também precisam se alimentar e possuir bens, que mesmo tendo como modelos principais sua legião de deuses, mas, também possuem uma Hollywood (Bollywood) cheio de superstars para se espelharem e sonharem com suas vidas ricas, poderosas e influentes.
As pessoas ainda não admitem que o glamour, a fama e a grana são pilares de nossa sociedade, o resto é resto, o humanitarismo sempre virá em segundo plano porque esse sempre foi o projeto do capitalismo, esvaziar as mentes de preocupações sentimentais e devotá-las na busca desenfreada de progresso.









29 de julho de 2010 às 09:20
Gostei do que você colocou aqui...
Parabéns pelo blog muito bonito atraente.
"As pessoas nunca brigarão pela religião como brigam por dinheiro"