Sonhos Doces
Fui transportado para os meus tempos de infância
Quando o sorveteiro passava na frente de casa encantando as criancinhas.
Eu era uma daquelas se deixava levar pelo sabor das doçuras,
Talvez por isso tu sejas hoje o meu maior vício...
Beijar os teus lábios é o mesmo que encostar a boca na casquinha gelada,
Arrepia a espinha e dá vontade de querer sempre mais.
Revele-me o segredo de ter esse doce incomparável,
Por acaso aprendeu com o sorveteiro da minha infância a atrair crianças bobas?
O que sei de ti apenas é que nenhum dos seres conhecidos
Arrebata os seus semelhantes como você a mim.
Ameixa.
Pêra.
Uva.
Blackberries... as minhas favoritas!
Tudo isso e um pouco mais está no gosto dos teus lábios e no correr do teu corpo.
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Fui transportado mais uma vez, mas, agora para o hoje, cruel hoje.
Na idade em que os sonhos doces de criança são apenas lapsos de memória fotográfica.
Onde o sorveteiro não passa mais nos hipnotizando com as cores de seu carrinho,
E a frieza dos corpos se tocando não reproduzem o desejo inocente dos infantes.
No final desta minha vida, já longe dos tenros sonhos alivia-me com um desejo,
O último dos desejos ao qual tem direito a ralé dos condenados:
Dá-me teu amor de novo, venda-me se for preciso, entrega-me teu doce mais uma vez.
É o que te peço apenas, concede-me sonhar de novo em teus braços, no banco daquela praça,
Vendo partir o carrinho de sorvete tocando seu agradável... trim, trim, trim....









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